Corte de cabelo radical - parte I - preparando o espírito do marido.
Lúcia diz » Amor, tá satisfeito de cabelo comprido?
Sérgio diz » Unh..... Nãaaaaao! Quero mais tempo de cabelo comprido!
Lúcia diz » Mas eu já tou deixando esse cabelo crescer desde 2008 - DOIS MIL E OITO! Não aguento mais!
Sérgio diz » É que eu sempre quis uma mulher de lindos cabelos compridos, é sexie!!!!!!!!
Lúcia diz » Então eu vou deixar bem sexie várias outras partes do corpo onde também cresce cabelo, ok?
Sérgio diz » Tá bom, corta logo então, faz o que tu quiser!
Lúcia diz » ÊeeEeEEEEeeeEEeEEeEeeeEe!!!!! Vou pegar a tespuraaaaaaaaa!!!!!!!
Sérgio diz » ESPERA!
Lúcia diz » Que foi?
Sérgio diz » Posso pensar mais um pouquinho?
Lúcia diz » NÃO! NÃO-NÃO-NÃO!!!!!!!! Esse cabelo já era! Semana que vem, na lua certa, ele e eu estaremos separados um do outro!
Sérgio diz » Posso pelo menos guardar um pedacinho? Uma tancinha?
Lúcia diz » Tá bom. Vamos fazer um chaveirinho pra ti. 1 cm de largura tá bom?
Sérgio diz » Sim. Mas cabelo comprido é sexie!
Lúcia diz » Então eu corto meu cabelo "sexie", faço uma peruca, dou pra PAULINHA (aquela ex-namorada inesquecível) e tu vai fazer sexo com ela loucamente, porque ela estará sexie!
Sérgio diz » BLÉRGH!!!!!! CORTA.
Lúcia diz » Ou eu posso te dar todo o cabelo cortado, vai parecer um rabão de cavalo sem o cavalo...
Sérgio diz » Corta e joga fora.
Lúcia diz » Maleducado!
Sérgio diz » Desculpa! Corta e fica te vangloriando depois, porque teu argumento é melhor que o meu e "cabelo" não é sexie.
Corte de cabelo radical - parte II - a reação dos alheios.
*Secretária do Chefe, em tom de escândalo:*
LLLLLLUUUUUUUUUUUUU!!!!!! CORTE NOVO? QUE LINDOOOOOOOOOOOOOOOOO!
SUPERMODERNO, REALÇOU TEU ROSTO, QUE LINDO QUE É ESSE TEU VERMELHO!
A-ME-IIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
*Eu, um tanto quanto apavorada com felicidade dela:*
Obrigada...
*A invejosa, achando que renderia assunto comigo:*
Que que tu fez com os cabelos?
*Eu, lacônica:*
Vendi.
*A invejosa, numa segunda tentativa de assuntar comigo:*
Ai, jura? E te pagaram bem?
*Eu, já saindo da sala:*
Sim.
*A telefonista EMO, com cara de choro:*
Tu cortou o cabelo?
*Eu, me esforçando pra não rir:*
Graças a Deus, cortei sim!
*A telefonista EMO, já chorando:*
MAS ERA TÃO BUNHITU, O-HO, O-HO...
*Eu, acalmando a moça:*
Meu cabelo cresce rápido! Bebe uma aguinha, bebe!
*A Ivete, após demorar pra ver que era eu:*
Lú-ciaaaaa! Que lindoooo! Pelo praço que combinaram te pagar eu achei que iam te deixar careca!!!!
*Eu, ajeitando as mechas:*
Eu também achei! Tem cabelo suficiente até pra fazer penteados!
*A Ivete, feliz da vida:*
Vende esse restinho pra fazer pincéis caríssimos.
*Eu, bem sincera:*
Não dá, o Sérgio já se apegou a esse restinho.
Corte de cabelo radical - parte III - a minha visão e os meus sentimentos!
A pedido do meu excelentíssimo esposo, deixei meus lindos e lisos cabelos crescerem, crescerem, crescerem...
Eles cresceram até o ponto de cobrir as minhas costas por inteiro e além disso: começavam a avançar em direção ao território das nádegas.
Todos os que viam soltas as minhas magníficas madeixas se encantavam: "como é lindo, como é liso, como é brilhante o teu cabelo!"
As pessoas mais próximas gostavam de passar os dedos por entre os meus cabelos, como se fosse um pente a percorrer aquela imensidão sem fim.
Eu me sentia a própria Rapunzel e, sinceramente, já estava procurando uma bruxa para me ajudar a trançar e destrançar os cabelos, pois o príncipe não ajudava nessas tarefas. O príncipe só se interessava em se pendurar nos meus cabelos para ficar pertinho de mim. Todo o trabalho de cuidar daqueles fios quilométricos era meu, somente meu.
Um certo dia, quando eu passeava despreocupadamente no belo, tranquilo, agradável e limpo centro da cidade, um mago-feiticeiro-do-bem, desses que ajudam a ficar bonitas aquelas pessoas que se sentem feias, veio me interpelar:
"Como é lindo, como é liso, como é brilhaaaante o teu cabelo! ... Quer vender?"
Eu disse SIM, ele tirou uma tesoura do bolso, cortou quase tudo que eu tinha de cabelo, deu uma desfiada no que sobrou grudado na minha cabeça, guardou aquela imensidão capilar bem amarradinha, me deu um dinheirão e foi-se embora!
Eu vivi feliz para sempre :D